Não vamos contar os anos em que ficamos fora. Nem mesmo dar um Google. Não temos medo do tempo mas também não estamos afins de ficar angustiadas. Estamos querendo aproveitar ao máximo essa sensação que é escrever na primeira pessoa do singular. Eu, Nina, sentia muita falta de escrever NÓS. Então, o que mudou nas NOSSAS VIDAS? Nossas. Nós, nós, nós (que delícia essa palavra!).

-A maioria dos nossos conhecidos homens (falamos dos gays e dos héteros) que era machista continua machista, só que agora eles disfarçam e até tiram onda de feministas porque senão pega mal. Alguns se fingem de feministas para pegar mulher, alguns para pegar trabalho. Alguns conseguem.

-O ataque de pânico, a angústia e a gastrite continuam presentes (distribuídos em nós três, não juntos AINDA), o que mostra que a gente não se cura com a idade.

-Óbvio que a gente se sente menos lixo na maioria das vezes, chuta mais o pau da barraca e fica menos de boca fechada quando ouve absurdo. O mais importante: a gente agora faz mais o que quer e menos o que não quer. Isso porque a idade no fim até que serve para alguma coisa. E o feminismo ser conhecido por todos e todas também.

-Graças à tecnologia, não esperamos mais telefonema. Mas continuamos esperando que respondam email ou mandem mensagem. Uma das incoerências malucas que temos agora é que odiamos quando não respondem um email (de amor, trabalho, pagamento) e ao mesmo tempo temos PAVOR da nossa caixa de entrada. Mais medo do que dela só temos das secretárias eletrônicas dos nossos celulares, o que na verdade é um medo abstrato, já que temos TANTO MEDO que não ouvimos os recados.

-Temos formas mais avançadas de stalkeamento. Quando o 02 Neuronio foi criado nem existia essa palavra. Então, o que a gente fazia era perseguir os caras mesmo, mas chamávamos isso de “dar uma olhada”. Isso significava: passar de carro na frente da casa, receber informações atualizadas sobre “se ele tinha ido ou não” e com quem e com que roupa a uma festa. Perdemos esse prazer agora que existe instagram, facdebook, live do instagram (vocês se acham o plantão do Jornal Nacional, ne?). E infelizmente ficamos sabendo das pessoas muito mais do que gostaríamos. Não, não gostamos de ver todo mundo na praia quando estamos no frio, nem pessoas esbanjando quando estamos duras. É horrível.

-Não somos mais jovens talentosas. Somos mulheres muito talentosas, as vezes até demais, já que descobrimos que no mundo dos empregos ser muito talentosa e experiente é péssimo e ter escrito 5 livros é uma coisa que você tem que esconder. Eles vão te chamar de over qualified, que é uma desculpa para te chamar de velha meio cara. Ter 20 mil seguidores em redes sociais vale mais do que ter escrito 5 livros para essa gente. E por essas (e outras) odiamos essas pessoas.

-Nossos amigos homens não são assim tão overqualificados. Eles são mais experientes. E por isso continuam (alguns) conseguindo fechar muitos negócios, inclusive usando o feminismo como ativo de mercado. Um desses disse para uma de nós quando contamos que pensávamos em voltar com o 02 Neuronio: “mas com uma outra cara, ne? Uma outra coisa. Afinal, hoje vocês são tias.” Sim, ouvimos isso. De um cara da nossa idade. #parabéns

-A pochete voltou. E virou moda. E já nos manifestamos sobre isso. E talvez essa seja a razão misteriosa pelo 02 Neurônio ter voltado: lutar contra a pochete até o fim dos nossos dias. Vocês acharam que iria ficar assim?

 

 

 

 

3 Comments

  1. Maravilhosas, guardo meu “guia da mulher superior” até hoje, detonado, mas vivo. Moldou parte da gay que sou hoje. Parabéns meninas, sucesso, estarei acompanhando.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s